terça-feira, 17 de setembro de 2013

As intermitências do desejo


 
 
Paro, escuto, oiço um pim pim, é a força interior

Que não reconhece limites

Mesmo se o dia já vai longo.

A voz permanece de veludo

Mesmo se houver dor,

Mesmo se os desejos forem adiados para amanhã.

 

E o desejo era o simples por de sol, revestido de verdade e de fantasia

Que quem sabe lavasse o pecado capital

Suspenso na chama que se apaga lentamente,

Enquanto o sol se esconde envergonhado mas sereno, melancólico,

Brilhando cada vez mais forte do outro lado do mundo.

E a intermitência do desejo permanece predestinada

Ao vai e vem.

 

Paro, olho, e faço de conta que te conheço,

Mas não és como eu te vejo,

És muito mais do que um abraço,

És o melhor dos lados. És o branco quando só vejo preto.

 

E o cansaço é apenas uma condição que se dissolve sobre a força

Que vem de dentro, poderosa, estridente, feia, suada,

Capaz de mover os nossos corpos asténicos

Sem que os músculos se colapsem em Caimbras.

 

Adiam-se desejos, que se concretizam

Sobre a forma da juventude que ainda enfrento

Cara a cara,

Com a naturalidade dos sonhos

Que temos nos lugares onde sabemos que queremos estar,

Quer estejamos em cima ou em baixo

Dos detalhes

Que compõem a vida dos distraídos.

 

Lembras-te? quando o vento soprava forte

E nos arrastava para longe?

O céu era escuro

E o desejo

Uma memória.

Lembra-te e depois esquece,

Hoje cumpre-se o verde das folhas das árvores

Amadurecendo ao Sol,

Baloiçando à brisa que as quer ver a dançar.
 
 
Filipe R S Cunha,
17 de Setembro de 2013
Vila Nova de Gaia,