sábado, 7 de setembro de 2013

O medo que te faz vibrar


O som da música era o mel que te iluminava o rosto

Mas a tua alma enlouqueceu.

Mas, cuidado,

Um movimento vibratório deu vida às cordas vocais,

Incendiou a garganta

Vermelha e revolveu o estado catatónico

Do teu ser

Enquanto a acidez gástrica desfazia a garganta.

 

As tuas mãos, frias, seguravam com firmeza o vazio que te congelava os ossos

E te repunha as emoções num estado de requinte longínquo.

A exposição demorada ao gelo desfaz as carnes e estala os ossos

Por isso as partículas que te envolvem em tédio

Afastam-te o vazio para longe.

É melhor um bom tédio que um mau vazio.

 

Embora permaneças quieta, entorpecida e neutralizada

Deixas de lutar contra o atrito do pensamento obsessivo

E deslizas sobre o ar quente deste pôr de sol.

E por instantes, a magia consuma-se

Quando tudo deixa de resultar,

Pois, a mentira derrete-se na fronteira

Entre o inferno e o abismo em que a verdade é a própria mentira.

 

Espera, escuta…começou a chover,

Corres em direção à chuva,

A abundância de água envolve o teu rosto emagrecido

Correndo como um rio sobre o leito

Das tuas rugas.

Encharcaste a roupa toda,

As gotas, uma após outra, meigas e quentes,

Lavaram-te a face,

O cheiro a terra molhada alivia-te a náusea superficial

E lá ao fundo o relâmpago, poderoso, alivia o seu poder

Excessivo, gastando-se na totalidade enquanto ilumina

A noite de forma temível. Fechas os olhos. Sorris. Encolhes os ombros

E respiras fundo esta essência perfeita.

 

O raio do relâmpago, uma seta de fogo e medo,

O medo que te fez vibrar.

Terá o medo um papel importante

Na equação da tua vida? É que não quero que sejas uma constante

Onde o fim é um ponto de exclamação

Nobre demais para se esquecer a liberdade.
 
 
07 de Setembro de 2013,
 
Filipe Ricardo Silva Cunha,
Vila Nova de Gaia