quinta-feira, 21 de março de 2013

Morrer por aquilo que se vive



 

Por agora, os bombos calam os silêncios e as angustias

Que sopram de dentro para fora, como lobos famintos uivando

Ainda distantes do topo da colina, por trilhos que vão desaguar

Na alvorada fria deste primeiro dia de primavera.

 

Encosta a baixo, o último pastor à moda de antigamente,

Carrega o seu rebanho, as suas botas pesadas e cansadas e a

Sua desesperança, rumo às pastagens verdejantes onde beberá

Do seu vinho para homens de pelo na benta e mais um naco de pão
 
duro,
 
Nos limites do bolor. Neste passeio diário pela 


 
Sobrevivência,
 
duas cabras à frente, assinalam a


Passagem ao ritmo dos chocalhos.

 
Neste instante em que acordo tardiamente, o Sol já brilha, um dia
 
quente e prometedor

Aguça o meu apetite,todavia os lobos ainda não encontraram alimento,

Desejosos de cheiro a sangue, recolhem-se em espasmos,

O rebanho pastou demoradamente sobre o repouso do pastor

Que entregara o testemunho ao seu fiel amigo Dick. Os bombos

Calam-se alimentando a minha solidão.

 

Pálido, revejo-me ao espelho,

O sonho morreu face à agua fria depositada no rosto,

Fico mais um segundo, debato-me com este vestígio sobre a

Forma de uma questão, Morrerias pelo que vives? Morreria?

E o pastor, e o Dick, e os Lobos? E a Alvorada…Os da minha

Imaginação e os reais.
 
 
Vila Nova de Gaia,
21 de Março de 2013